Imagem capa - COVID e Newborn por PRISCILLA FELIX FOTOGRAFIA
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COVID e Newborn


Como enfermeira e fotógrafa newborn faço um pedido para vocês: fiquem em casa. 

Entendo que vocês estejam muito frustrados por não terem a gestação, parto e/ou as fotos do recém-nascidos feitos de maneira profissional... é um momento único e que não volta, não aguarda a quarentena acabar para poder ser registrado. Tudo isso é muito triste, eu te entendo e estou muito triste também.

Nós estamos em isolamento social por um bem maior, com o objetivo de barrar esse vírus e sair dessa quarentena o quanto antes. Se eu aceito fazer seu ensaio, quebro essa possibilidade e começará um ciclo de novo. Então eu te peço, vamos ficar em casa e só dessa vez, faz fotos com seu celular mesmo... No futuro você contará ao seu bebê que ele nasceu e trouxe muita esperança num momento tão aflitivo para todos nós. Que não foi possível fazer o registro desse momento tão feliz de maneira profissional e linda, mas nem por isso a alegria do momento diminuiu.


Muitos clientes estão me perguntando, porque não podemos fazer se não pertencemos ao grupo de risco... 

A questão é, quando quebramos o isolamento social para fazer um ensaio do recém-nascido, por exemplo, seja na casa do cliente ou no studio, há o risco de contaminação de ambas partes. A família que acabou de sair do hospital pode ter sido exposta ao covid-19 e não apresentar os sintomas ainda e infectar o fotógrafo. O fotógrafo não terá como saber se foi contaminado num período de até 15 dias e nesse meio tempo faz outro ensaio. E assim esse vírus acabará indo para outra família... isso sem contar as pessoas com quem temos contato e podemos contaminar ou ser contaminados no deslocamento, elevador, manobrista, supermercado e isso não vai ter fim, uma vez que essas pessoas irão se contaminar e levar para suas famílias e uma bola de neve ser forma.


Além de formar uma bola de neve, devemos olhar para os dados e perceber que não são só as pessoas do grupo de risco que pegam e desenvolvem a forma mais grave da doença... há bebês, adolescentes, gestantes, jovens também. O vírus pode ser mais brando para os mais jovens mas é engano achar que nada vai acontecer e podemos nos expor com certeza que não sofreremos consequências mais sérias.

 

Então a consciência que a gente precisa nesse momento é ISOLAMENTO, não saia de casa a não ser por uma extrema necessidade (comprar comida e remédios). Eu lamento por tudo isso que está acontecendo, não vejo a hora dessa quarentena acabar e voltar a fotografar, além de fazer fotos lindas para as famílias, preciso para pagar os boletos que estão acumulando, sem contar o bem imenso que é para mim estar com os recém-nascidos e seus recém-papapais/mamães.

 

E te convido a fazerem um reflexão sobre esse trecho retirado do livro “Amor em Tempos de Cólera” do Gabriel Garcia Marques, falando sobre o que a gente está vivendo nesse momento...

 

“- Capitão, o menino está preocupado e inquieto devido à quarentena que o porto nos impôs!

- O que te inquieta, menino? Não tens comida suficiente? Não dormes o suficiente?

- Não é isso, Capitão. É que não suporto não poder ir à terra e abraçar minha família.

- E se te deixasse, sair do navio e estivesses contaminado, suportarias a culpa de infectar alguém que não tem condições de aguentar a doença?

- Não me perdoaria nunca”

 

Então eu deixo essa reflexão: você aguentaria saber que passou a doença para alguém que não tem condições de reagir a essa doença? Pessoas do grupo de risco, pessoas sem acesso ao sistema de saúde para se tratarem adequadamente ou, ainda que tenham condições financeiras, pode não ter leito disponível para atendê-las e elas venham a falecer... então é esse pedido que eu tenho para passar: não saiam de casa. 


Vamos superar tudo isso o quanto antes, depende de cada um fazer sua parte e então, termos muitos outros momentos para registrar essa vida!